Diplomatas estrangeiros avaliam reconhecer rapidamente ganhador da ele | G1
Flávio Bolsonaro, Donald Trump e Lula — Foto: Montagem - Wilton Junior/Estadão Conteúdo; REUTERS/Nathan Howard; REUTERS/Adriano Machado
Diplomatas estrangeiros em Brasília estão avaliando reconhecer rapidamente o vencedor do segundo turno da eleição presidencial, disseram quatro embaixadores à agência de notícias Reuters nesta sexta-feira (23).
O objetivo seria evitar quaisquer tentativas vindas de fora do país de declarar prematuramente a vitória de qualquer um dos candidatos, segundo a agência.
A disputa derradeira pela presidência entre o presidente Lula (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) ocorre no domingo (25). Os candidatos estão tecnicamente empatados, segundo pesquisas de intenção de voto divulgadas nesta semana —Datafolha mostrou ambos com 50% dos votos válidos.
As fontes diplomáticas, no entanto, disseram ainda não terem formalizado um plano, com várias missões diplomáticas ainda discutindo com seus governos sobre a melhor forma de proceder.
Dois embaixadores disseram à Reuters que temem que o presidente dos EUA, Donald Trump, ou seu governo, possam questionar o resultado caso Lula vença por uma margem estreita.
O embaixador, que falou sob condição de anonimato devido à delicadeza do assunto, disse que não estava envolvido em discussões com outros governos.
O Departamento de Estado dos EUA e a embaixada norte-americana em Brasília não responderam às perguntas sobre se Trump se comprometeria a reconhecer o vencedor do segundo turno conforme for anunciado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) do Brasil. O tribunal não respondeu a um pedido de comentário.
Um embaixador disse que sua preocupação com Trump surge após os comentários do líder norte-americano sobre recentes eleições na América Latina, incluindo a eleição presidencial de 2025 em Honduras. Em meio a atrasos na apuração dos votos, Trump alegou fraude sem apresentar provas e disse que haveria "consequências terríveis" se o país latino alterasse os resultados preliminares que colocavam seu candidato preferido na liderança.
Nas eleições de 2022 no Brasil, governos estrangeiros, incluindo os Estados Unidos, a União Europeia e muitos países latino-americanos, desempenharam um papel importante ao reconhecer a vitória de Lula sobre o então presidente Jair Bolsonaro, que se recusou a admitir a derrota no pleito.